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Paulo Portas sobre a economia global: “A Europa precisa de soluções sem gritos"

Paulo Portas sobre a economia global: “A Europa precisa de soluções sem gritos"

Noticias, Oporto 2026

  • Rui Moreira defende que, “se não formos capazes de garantir a sustentabilidade ambiental a quem não tem recursos para aceder à mesma, estamos a fazer ‘greenwashing’”

 

O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, e o ex-vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas, participaram hoje, 26 de maio, num novo encontro dos "Diálogos para o Desenvolvimento" (Diálogos para el Desarrollo), realizado no Hilton Porto Gaia, que se centrou nos efeitos da incerteza política e das mudanças internacionais na economia global.

 

Durante a sua intervenção, Paulo Portas deu ênfase ao novo cenário geopolítico internacional e ao papel que a Europa deve desempenhar face à ascensão de um modelo de relações internacionais baseado no poder e não nas alianças tradicionais. O ex-governante português analisou as relações entre os presidentes dos Estados Unidos, da China e da Rússia: Donald Trump, Xi Jinping e Vladimir Putin, respetivamente.

 

Portas alertou que “a Europa enfrenta desafios importantes relacionados com o envelhecimento demográfico, a perda de produtividade e o desenvolvimento da inteligência artificial”. O ex-ministro luso defendeu a necessidade de reforçar a inovação e a cooperação entre os setores público e privado para evitar que a Europa perca competitividade face aos Estados Unidos e à China.

 

Refletiu também sobre a evolução da guerra tarifária entre ambas as potências e a crescente dependência económica entre os países. Na sua opinião, “a Europa tem a possibilidade de caminhar para um grande progresso se encontrar soluções sem gritos nem insultos”.

 

O encontro, organizado pela Management Activo e patrocinado pela Crédito y Caución, Caja Rural del Sur e Atradius Collections, contou também com a participação de Rui Moreira, que centrou a sua intervenção na sustentabilidade ambiental e defendeu que a transição ecológica não pode avançar sem coesão social. O autarca do Porto alertou para o facto de que muitas medidas ambientais continuam a ser inacessíveis para uma parte importante da população devido ao seu custo económico.

 

Moreira abordou também o papel das cidades na luta contra as alterações climáticas e recordou que “70% das emissões poluentes e do PIB mundial são gerados em zonas urbanas”. O dirigente português reclamou uma maior capacidade de decisão para os municípios em questões relacionadas com a mobilidade, a sustentabilidade e a governação local.

 

O presidente da câmara portuense analisou, além disso, as dificuldades que as novas gerações enfrentam no acesso ao mercado de trabalho e à habitação, num contexto marcado pelo envelhecimento da população e pelo peso eleitoral dos pensionistas e funcionários públicos.

 

“Os cidadãos acreditam que as cidades têm mais poder do que aquele que realmente possuem para resolver problemas relacionados com a sustentabilidade, a mobilidade ou até mesmo a segurança”, alertou Rui Moreira, que defendeu a necessidade de alargar as competências dos governos autárquicos para reforçar a relação entre as administrações locais e os munícipes.

 

Moreira afirmou que “as cidades e os centros urbanos têm a oportunidade de olhar para além do turismo para não se transformarem numa monocultura”. Além disso, defendeu que regiões industriais como o Norte de Portugal podem ganhar competitividade face aos problemas que afetam as cadeias logísticas internacionais e assegurou que “a produção local e as pequenas indústrias voltarão a ser competitivas no novo cenário económico global”.

 

A concluir, Rui Moreira sublinhou que o atual contexto internacional abre uma janela de oportunidade para territórios com uma forte tradição industrial, como o Porto e o Norte de Portugal. O autarca defendeu que “as dificuldades nas cadeias logísticas globais estão a devolver o protagonismo à produção local e de proximidade, favorecendo a competitividade do tecido empresarial regional e reforçando o papel estratégico das pequenas e médias produções”.

 

Na mesma linha, Paulo Portas enalteceu o peso histórico e económico do Porto, realçando que “é impensável olhar para a economia portuguesa sem o Norte e sem esta cidade”. O ex-vice-primeiro-ministro português recordou a tradição “liberal e burguesa” do Porto, o seu papel como núcleo industrial, comercial e de crescimento económico, bem como a sua estreita ligação à Galiza do ponto de vista económico e cultural, sublinhando que a capacidade produtiva da região continua a representar “uma parte considerável do PIB português”.

 

 

Os patrocinadores

 

Crédito y Caución

Crédito y Caución é uma das marcas líderes em seguro de crédito interno e de exportação em Portugal, com uma quota de mercado de 22,1%. A Crédito y Caución contribui para o crescimento das empresas, protegendo-as dos riscos de incumprimento associados a vendas a crédito de bens e serviços. A marca Crédito y Caución também está presente em Espanha e no Brasil. No resto do mundo opera como Atradius. A sua atividade consolida-se no GCO.

 

Caja Rural del Sur

A Caja Rural del Sur é uma entidade cooperativa de crédito líder na Andaluzia, com forte presença nas províncias de Sevilha, Huelva, Cádiz e Córdoba, onde conta com uma equipa de mais de 1.200 colaboradores especializados integrados numa rede de 321 Balcões.

 

Iniciou a internacionalização com a chegada a Portugal em 2020, com um escritório de representação em Faro e posteriormente com a abertura de Sucursal em Portugal. Atualmente, conta com Serviços Centrais em Lisboa e Centros especializados de Banca de Empresas em Lisboa, Faro, e Porto e um espaço da Fundação Caja Rural del Sur no PACT em Évora. Pretende alargar a sua área de influência a todo o território português, apostando na cooperação entre regiões como forma de combater a periferia em relação à Europa e aos grandes centros de decisão.

 

Pertence ao Grupo Caja Rural – Banco Cooperativo, um dos principais grupos financeiros a operar em Espanha, que integra 31 cooperativas financeiras de crédito. A robustez e solvência da Caja Rural del Sur é comprovada pela classificação creditícia a longo prazo de BAA1 atribuída pela agência de rating Moody’s, posicionando-a entre as melhores entidades do sistema financeiro espanhol.

 

Atradius Collections

Na Atradius Collections, somos especialistas na recuperação amigável de créditos entre empresas, com atuação global. Estamos presentes em mais de 40 países e contamos com uma cobertura que nos permite atuar em cerca de 96% do mundo, combinando presença internacional com conhecimento local, através de equipas que compreendem os mercados e a cultura de cada país.

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